sábado, setembro 05, 2009
belo pesadelo
acordei em um sonho esquisito
eu mesmo era o estranho
que me falava coisas desconhecidas
e de vez em quando sumia
fiz força para decorar
aquelas tão belas palavras
não dava tempo de anotar
a metade que eu entendia
tentei voltar a dormir
como todo sonhador que se preza
mas continuei surdo às súplicas
- não mereço ouvir minha própria reza
Roberto Prado
sexta-feira, setembro 04, 2009
Eu na Piperácea - um carinho bem condimentado
Quem disse que a vida só de bica na canela? Olha só o que saiu no Piperácea, blog da incrível Valéria Prochmann. Valeu, Valéria!
Canções do Beco
Duas canções com letras do talentoso publicitário, jornalista e amigo Roberto Prado - Beco para os íntimos - e músicas de Luiz Ferreira foram escolhidas para a trilha sonora do filme “Insolação”, dirigido por Felipe Hirsch e Daniela Thomas, com Paulo José no elenco. Ambas do repertório do conjunto musical Beijo AA Força, as canções são “Primeira aula de cartografia aplicada” e “A partida”. O filme, por sua vez, estará no Festival Internacional de Cinema de Veneza 2009. É uma grande alegria dar esta notícia! Sou amiga do Beco desde 1980, quando eu era aprendiz no Correio de Notícias, com 14 anos, e ele já era um talento consagrado, com apenas 19 anos. Já conhecia os poemas dele publicados na antologia “Sala 17″, que marcou época no meio cultural curitibano apresentando uma nova geração de poetas que conseguiram publicar o livro apesar da ditadura que a tudo censurava na época. Ajudei a vender esse livro de porta em porta, pois era uma produção independente. De lá pra cá, além de continuarmos muito amigos, eu e o Beco fizemos algumas boas parcerias profissionais, como uma campanha de promoção da leitura para a Biblioteca Pública do Paraná (quando fui diretora no início dos anos 90 e ele atuava na saudosa Oss Propaganda), um relatório corporativo para O Boticário em 2002 (que venceu prêmio publicitário) e recentemente trabalhos para a Unimed Paraná e para a Athena Incorporadora. Tudo o que o Beco faz é primoroso!
Esclarecimento ao público: a canção A partida citada na matéria tem dois outros parceiros: Rodrigo Barros e Renato Quege.
sábado, janeiro 10, 2009
Um poema do Marcos Prado
Marcos de chapéu rindo da minha distração no lançamento do livro Catalépticos, em mil novencentos e lá vai pedrada.a mentira é a melhor é a melhor amiga das artes
nela, gelatinosa, as glosas seculares
minúcias de paisagens inexistentes
um coração onde cabe um milhão diferentes
dondoca de agora, amanhã de coturno
segue sempre os passos de um antigo perjuro
a arte imita a arte que imita tudo
e é profunda, é verdade, bem no fundo
mas somos piores que os pintores de florença
ridículos comparados aos poetas de provença
michelângelo cagaria em cima de nossas estátuas
bethoven se limparia com as nossas pautas
que é a nossa dança diante de um delírio índio?
que é um soco nosso perto de um clay vindo?
por que, se finda é a arte, continuar mentindo?
repetir o que se repetiu de novo se repetindo?
(Marcos Prado)
quinta-feira, janeiro 01, 2009
Jacus, jacutingas e outros bichos
Essa é do tempo em que os animais falavam. Sabe-se Deus quando, eu o Luís Antônio Ferreira e o Edilson Del Grossi, fizemos essa canção (provavelmente nunca mais cantada). Vai aqui só como poeminha.
O jacu e a jacutinga
(Roberto Prado, Edilson Del Grossi, Luiz Antônio Ferreira)
desfilando na caatinga
recostado à sombra
do xique-xique
aí que tá a jacutinga
ela é um colosso
você fazendo piquenique
no fundo do poço
mordendo carne de pescoço
as vezes você tem que decidir
entre o fogo e a frigideira
entre a beira do abismo
e a total destruição
todo mundo indo em frente
você morrendo à míngua
fazendo a alegria dos vizinhos (*)
e a riqueza dos parentes
teu santo protetor é do pau oco
teu anjo não te guarda
o cão te mordeu
e ficou louco
às vezes você tem que decidir
entre o fogo e a frigideira
entre a beira do abismo
e a total destruição
(*) Verso adaptado do Livro de Tao, de Lao-Tsé, tradução de Aberto Centurião de Carvalho, Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado
Para quem gosta de simplificar
vou te contar
o vento venta
deixe eu pensar
não sei de cabeça
é oito ou oitenta?
porém não esqueça
que antes e depois e no meio
- isso só contando
no sentido horário -
tem outros novos números
que esqueci num dicionário
o vento venta
o oito não é o começo
o oitenta não chega ao fim
é oito ou oitenta?
conte pra mim
(Roberto Prado)
sábado, dezembro 27, 2008
Nunca é demais
É sempre bom lembrar do que é genial. Puxando pela memória, lembrei de dividir com vocês um poema inédito do Sérgio Viralobos, feito em parceria com o Plínio Gonzaga. E quem quiser mais que clique aqui e vá ao Malocabilly, uma mina de textos do Sérgio Viralobos, Chico Capetão e Edilson Del Grossi.
TAPÃO NAS COSTAS
odeio trazer alguém de volta
se deixo lá é pra ficar lá mesmo
não adianta bater na porta
fazer um favor me amarfanha o cenho
gratidão, então, é uma operação plástica
dar a mão é como se perdesse um membro
não pense que tenho recheio de máquina
é que o amor afeta meu desempenho
e a solidariedade não é lá muito prática
fora isso, sou um homem bem bom
existe coisa mais bela que natureza morta ?
a vida fica bem melhor num desenho
sou sensível a tudo que não me toca
(Sérgio Viralobos e Plínio Gonzaga)
terça-feira, novembro 25, 2008
Lírica embriagada
Li Po, poeta chinês, deixou um dos primeiros registros históricos de poema de louvor à embriaguez. Algo assim:Traga o vinho
Veja: as águas do rio caem do céu,
vão para o oceano e voltam de um jeito ou de outro.
Veja: as madeixas lindas nos espelhos límpidos,
negras pela manhã, brancas de neve à noite.
Deixe um homem de espírito atrever-se a ir onde lhe agrada.
E nunca erga sua taça vazia para a lua.
Já que o céu deu o talento, deixe-me usá-lo.
Faça um teste: rode milhares de moedas de prata
e repare como todas elas voltarão para você.
Asse o carneiro, carneie o boi, aguce o apetite
e prepare para mim, com trocentos copos, uma longa bebida.
Para o velho mestre e o jovem que promete, traga o vinho!
Que sua taça nunca descanse.
Deixe eu cantar uma canção para você.
Que seus ouvidos me ouçam.
O que são o violão e o tamborim, raros pratos e tesouros?
Deixe-me ficar bambo para sempre e nunca mais voltar à razão.
Esquecidos os homens sábios e sóbrios de antigamente
somente os grandes bebedores merecerão a glória eterna.
Reza aquela lenda: o príncipe Ch’en em tempos idos
pagou num banquete no Palácio da Perfeição
dez mil moedas de ouro por um barril com muitos risos e pilhérias.
Então por que dizer, meu bom anfitrião, que o seu dinheiro se foi?
Saia, traga o vinho e nós o beberemos juntos.
Meu cavalo sangue puro e seus enfeites de diamante,
minhas peles raras que valem milhões,
entregue tudo ao rapaz e traga o vinho
para afogarmos as mágoas de dez mil gerações.
Li Po
É preciso ficar bem claro que não estou aqui fazendo comercial de bebida ou dando força para que alguém tome caipirinha de raiz de capim. Aliás, eu nem bebo. Não que uma coisa ou outra tenha importância. Aliás, o apaixonado e lírico Li Po era contemporâneo, amigo e defensor do quase monge poeta - e abstêmio - Tu Fu. Dividiram as torcidas, mas nunca deixaram que as conversas de lavadeiras da corte chinesa interferisse no respeito e admiração que tinham pela obra um do outro. Uma lição de sabedoria que muitos poetas atuais poderiam praticar, para o bem dos nossos ouvidos e das suas reputações. A obra dos dois atravessou os milênios assim como também ficou na memória e chegou até nós as definições que o povão chinês fez a respeito deles: Li Po, o poeta feiticeiro e Tu Fu, o poeta sábio.Lembrei agora dessa pequena obra prima de uma dupla que soube pegar em flagrante e eternizar um simples freqüentador de bar de uma periferia qualquer:
o velho e o bar
o velhinho é a alma do negócio
deixa a nota amassada
e sai catando cavaco
pensou que via o carlos drummond de andrade
mas era uma valeta no meio do caminho
o pau d’água mergulhou na areia movediça
transformando-se no monstro do pântano
Marcos Prado e Márcio Cobaia Goedert
Artes e mágicas da poesia que, bêbado ou sóbrio, só quem sabe ver viverá.
terça-feira, março 27, 2007
Genialidades expostas

Solda e Rettamozzo, sozinhos, já são um bando de talentos. Imagine agora um evento que une estas criaturas plurais, múltiplas e, ao mesmo tempo, donos de assombrosa coerência ética e estética, que ultrapassa as décadas sem perder a surpreendente pegada. Pois saiba que esse encontro além da imaginação vai acontecer mesmo, a partir do dia primeiro, no Beto Batata. Anote. A gente se encontra por lá.
sexta-feira, março 02, 2007
Uma dupla de matar a mãe do guarda
Edson de Vulcanis: assombroso talento
É fato: Marcos Prado e Edson de Vulcanis escreveram juntos alguns dos mais belos poemas do orbe oval que os meus pés tocam. Para você ver e comprovar, selecionei algumas gemas da dupla, pura delícia, para deleite das boas almas.
ação entre amigos
vamos à churrascada de empalamento do padre estuprador, meu amor
vamos ao coquetel de linchamento do rubem fonseca, meu amor
eu já matei o escritor, matei inês
antes que talhasse o sangue do freguês
bercinho boiando no rio grande do sul
o farofeiro feio brilhava à beira de um luau
ouvindo solos de clarineta de seu pai
atocaiando jacarés e fazendo onda no mar de merda
o bêbado saldável
quando eu morri
meu pai tinha três anos
o saldo da minha alma está em retalhos
e o meu corpo em liquidação
sou vítima de uma bala perdida do antônio bivar
não sei se sou eu ou ele que não está nem aí
o pior é que atirou desmunhecando
descarregadores de cadáveres
homens, mulheres, crianças, velhos, cães e gatos maltrapilhos
aqui o cheiro das flores podres empesteia o ambiente
bagos no arame farpado arranco
fugindo do haroldo de campos
(Poemas de Marcos Prado e Edson de Vulcanis)
terça-feira, fevereiro 27, 2007
João do Sol
O mais barbudo à direita é o meu grande amigo João Otávio Malheiros que, há quase 30 anos, tomou a sábia decisão de ir para um lugar ensolarado, à beira mar e bem longe. Fora a saudade minha e dos muitos outros curitibanos que lhe prezam a amizade, temos de concordar que ele estava coberto de razão (apesar de manter sua maluquice bem além do que a lei permite). Lá na ilha de São Luís do Maranhão, entre outras coisas, fundou uma ONG, a Amavida, que faz um trabalho muito bacana e pela qual realiza inenarráveis andanças pelos caminhos mais esquisitos, estreitos e escamosos do roçado do bom Deus (obrigado, Plínio Marcos). Numa dessas viagens foi um dos coordenadores de um encontro da ONU com a singela denominação de Sixth Session of the COP of the United Nations Convention to Combat Desertification. Onde era? Na Cuba de Fidel, com praia, sol e... bem longe (a foto é desse encontro, que eu localizei pelo São Google). Pois bem. Esses dias o meu filho Rodrigo deu um jeito de consertar umas coisas misteriosas no meu computador e eu, finalmente, consegui acessar o inacessível: os poemas que o João Otávio havia me mandado há uma pá de tempo. Alegria, alegria. Vejam aí embaixo algumas pérolas deste curitibano de Londrina que virou ludovicense (morador de São Luís, anarfas). Seja bem-vindo, João, mais um com defeito de fabricação.Meus amigos gays depois do pôr-do-sol
Eles sofrem sempre horrores
Eles tremem cedo de medo
Não sabem guardar um segredo
Eles sonham acordados
E choram abafado no escuro
Eles às vezes cortam os pulsos
E riem às vezes a noite inteira
É quando dançam nas pedras
E atiram beijos pra lua
Não fingem então os sempre farsantes
As cores com que se maquiam
abaixa
é natasha
ela morre
agorinha
na minha tv
com alvos no peito
estão tão prontas no prompt
já mortas de medo
mas ainda querem morrer
ao vivo na minha tv
tanta
nuca.
o enterro
o morto
foi lindo
foi rindo
eu berro
e bebo.
Locações para filmar o vento
um palito de fósforo riscado
na calçada
ao meio fio
o palito mascado
jogado no chão
é tarde
misturando os restos da cidade.
E não tem pedras
Garantias-me antes da travessia.
Mentias
E a água estava fria.
mente jamais!
(mas pode mesmo a verdade
toda
caber dentro dos nossos jornais?)
erra jamais
(vem todo o acerto do mundo
impresso em preto
nos nossos jornais).
não trazem a cotação
da bolsa de Maputo: eles não mentem.
Só a verdade pode manter o giro dos nossos capitais.
Se procuras mentiras em nossos jornais.
(Poemas de João Otávio Malheiros)
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
O samba que é de outros carnavais
Aproveito a deixa para republicar um texto sobre a folia de Momo.
Os Acadêmicos da Sapolândia
De repente o tal do Luís Américo nos dá o X da questão
em quem mexer com a minha nega
já dei colher de chá,
agora chega”.
homens que não vão nem vêm
parece que avante vão
entre doente e o são
mente a cada hora a espia
na meta do meio-dia
andais entre o lobo e o cão”.
“eu já disse a você
que malandro demais
vira bicho”
cabelos de cabra com pós de marfim
pés e puas de riso motivo
cabelos e topes motivos de rir”.
de um ninho, salta, no árdego trabalho
de árvore em árvore e de galho em galho,
com a rapidez duma semicolcheia.”
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta.”
“mamãe eu quero mamar”,
“alalaô ô ô, mas que calor ô ô”.
“onde moro que me sinto bem”?
Pois somente aqui,
“onde ela mora”, e "a avenida tem fim"
demora essa sonoridade
“eu nunca tive pinta de eunuco
nem de voyeur do teu balacobaco
meu passarinho saiu do teu relógio cuco
você deixou meu coração batendo fraco”.
Pra terminar, uma pergunta: ouvidos novos ouvem ou vêem os sons que vêm e botam ovos?
sábado, fevereiro 17, 2007
Dureza: um abraço pro gaiteiro

Divido com vocês uma maravilha roubada do blog Malocabilly (link ao lado), por obra e graça do grande Sérgio Viralobos. São coisas assim que me sustentam entre as colunas de trevas que evolam do incêndio de Babilônia.
MARRÉ DE SI
mas dinheiro foi-se o tempo
quase que perco tudo
à procura da agulha no palheiro
na fronha de algum travesseiro
o corpo fica mais puro
sem um puto no bolso
quando se falta o tanto
hoje sou mais valioso
que um dicionário de esperanto
se pisar em moeda, eu passo
meu testamento são folhas em branco
só o gaiteiro me espera pro abraço.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Uma flor do mal do velho Bode
Charles Baudelaire, o autor das Flores do Mal, era do bem. Para comprovar, veja uma das duas traduções que eu e meus parceiros fizemos, já publicada no livro Os catalépticos e que inspirou um belíssimo e corajoso estudo do professor Édison Costa (na revista Letras, da UFPR) comparando as nossas versões do velho Bode com as dos poetas simbolistas. O VINHO DOS AMANTES
é proibido proibir que tenha fim
bebo o vinho mel, divino néctar,
o céu ainda por cima parece concordar
ambos puros artífices das alturas
eu e a taça, vinhetas da paisagem
o vinho volta à uva, eu, à miragem
mecanismos de um turbilhão inteligente
que tudo ouve vê e só delira
em outro entramos agora como um só
ic! epa! ops! rum...rum...ã? ó!
terça-feira, fevereiro 13, 2007
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
O sangue e o batuque

no batuque do coração
rimo rindo
rimo porque sim
rimo indo e vindo
quanto mais rimo melhor
rimo sim e daí?
vivo porque rimo
se rimo amanhã saberei
rimo sempre
rimo uma eternidade
rimo porque morri
confesso que rimei
rimo porque em verdade
em verdade eu sei
que mesmo naquele dia
se a rima me faltar
rimarei
tantã
por dentro e entre
pela vida afora
e antes
hora após hora
por exemplo, agora,
eu rimo sempre
às vezes bato fraco
nenhuma razão de orgulho
somente mais uma canção
apenas mais um coração
fazendo barulho
domingo, fevereiro 04, 2007
Cruz e Souza pede passagem

Amigos. Estamos hoje aqui reunidos para ler o Cruz e Souza. Sem mais rodeios, vamos ao poema.
Vida Obscura
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-se mais simples e mais puro.
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.
E o teu suspiro como foi profundo!
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
O sorriso da Iara

A Iara Teixeira deu um susto em todos que amam a graça, o charme e o veneno do seu talento luminoso.Bateu no hospital, quicou na UTI, mas foi aventura passageira: já está voltando para casa, sã e salva. Na foto, à esquerda, o sorriso da artista completa uma das suas obras-primas.
Bom retorno, Iarinha e parabéns para a irmãzinha Dóris Teixeira, foto à direita (arquiteta com alma), por ter cuidado tão bem deste patrimônio.
domingo, janeiro 28, 2007
Yes, nós temos Miran

Osvaldo Miranda, o Miran, é uma lenda viva das artes gráficas curitibanas. Ele, o Solda, o Rettamozzo, o Marchesini, o Rogério Dias, a Iara Teixeira e outros cobrões, trabalhando juntos, trocando figurinhas, botando o bloco na rua, criaram um padrão de excelência e um ambiente criativo que beneficiou muito a rapaziada mais recente. Abaixo, um orgulhoso exemplo, que tenho a soberba de relembrar, de um trabalho que tive o prazer de dividir com o mestre Miran (cuja edição ele, inclusive, viabilizou). Para ler o texto junto com a arte, clique aqui.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Lamentações de um coitadinho subtropical
Passei a acordar às dez porque estou cansado de nove horas. Mas, como encarnado que sou e, portanto, sofredor solidário das vicissitudes da matéria, ainda considero útil um nadinha de formalidade. Ou até, talvez, quem sabe, um dia, já sonhando alto, viajando e querendo demais, alguma gentileza, de vez em quando. Se não for incômodo.
(Roberto Prado)
sábado, janeiro 20, 2007
A vida está pela hora da morte
Primeiro (mais detalhes no blog do Solda), o Mário Celso Petraglia, poderoso chefão do Atlético PR, fica uma arara com um cartum do Tiago Rechia e liga ameaçando encher o artista de chumbo.(Pausa para um diálogo imaginário:
"- Alô, aqui é o Mário..."
"- Que Mário?"
"- Aquele que te rodeou o fiofó de bala ao sair do armário.")
Mas, sério, dê uma olhada acima e, mesmo sem ser psicanalista, me ajude a entender o que pegou tão pesado e bateu tão fundo a ponto de magoar por dentro o dirigente esportivo. Para quem não sabe: o cara atendendo o celular representa o Petraglia e o sujeito pendurado simboliza o jogador Dagoberto, que sacaneia e é sacaneado publicamente pelo Atlético há uns bons dois anos. Uma relação nitidamente sadomasoquista, que o Tiago Rechia soube definir muito bem.
Segundo, o Thadeu finalmente virou réu confesso e vai publicar um capítulo a cada três dias da saga O dia que matei o Wilson Martins. Começando nesta segunda, dia 22. Para quem não sabe, o Wilson é um importante acadêmico, intelectual e crítico literário (neste quesito cometeu alguns pecados, especialmente em Poesia, área da qual o cara provou não manjar lhufas). Não sei bem que espécie de barbaridade o Thadeu inflingiu ao insígne professor-doutor, sua vítima. Mas não vou perder os capítulos nem morto. Viva!Terceiro: mesmo que tudo esteja indo de mal a pior, lembre-se sempre que a vida é boa, a turminha é legal, o mundo é bacana e este é um país que vai pra frente. Por isso, recomendo, com grande entusiasmo que, por enquanto, ninguém pregue bala em ninguém. No mínimo, pelo inútil ridículo inerente ao ato, já que a morte, segundo consta, não existe.

