segunda-feira, junho 26, 2006

Para entender Curitiba


Um poema da obra ainda inédita O livro póstumo de Marcos Prado e Sérgio Viralobos.


ARAUCÁRIA ANGUSTIFÓLIA

taça de luz o caralho
pinheiro espinha ninho
pinha não é pra bico de passarinho
só gralha se empoleira no seu galho

a mais mau caráter das plantas
prepondera sobre as gramas ralas
e acha as outras todas palhas
por que além de si vicejam tantas?

não há vento que alise sua carapinha
pinheiro não dá sombra pra ninguém
suas iras fincam raízes na vizinha

a árvore casca grossa desde o gen
nega fogo se for palito de caixinha

será o diabo se houver vida vegetal no além

(Sérgio Viralobos e Marcos Prado)

terça-feira, junho 20, 2006

Solda e Bortolotto: dois sujeitos da melhor qualidade

Duas humildes sugestões para se refazer a alminha maltratada de tantas lamúrias, lamentações, choro e ranger de dentes: dê uma conferida diária em dois blogs devidamente linkados aí ao lado, pilotados por Solda e Bortolotto. São completamente diferentes, com jogadas diversas, mas que têm em comum a boa e velha alegria de viver, a saúde de quem é do bem, a energia de quem pratica a sua arte por esporte, a graça de quem joga bonito mas sabe dividir a bola quando é preciso. Se fizeram o seu ouvido de penico ou, inadverdidamente, leu algum maricas choramingando sua frustração por não aparecer no Fantástico, recarregue as baterias do espírito e faça uma tranfusão neuronial. A gente se encontra por lá.

terça-feira, junho 13, 2006

Tudo dentro da lei: do cão, da selva e do mais forte.

Grafitepoema do grupo inglês Banksy, afanado do blog da Estrela Leminski, o Leminskata, uma leitura altamente recomendável.

no mundo, sem cachorro

o menino procura seu cachorro
todo mundo é ladrão de cachorro
todo carro é matador de cachorro
toda rua é perigosa pra cachorro

todos são suspeitos

uma cauda da mesma cor abana ao longe
o menino sorri e corre
pra aprender de perto que no mundo cão
pode chorar que é outro cachorro


(Roberto Prado)

segunda-feira, junho 12, 2006

Aos escrevinhadores e outros produtores de enigmas

O grande Luiz Ferreira, compositor, instrumentista, ator, agitador e, além de tudo, co-criador de algumas das melhores bandas das redondezas da terra (entre elas as atuais Beijo aa Força e Maxixe Machine), colocou no ar um audioblog. A proposta é expor as canções, sem frescura e com todo o frescor, coisa de compositor. É o Poemas Brutos. Clique pra ouvir. E veja o som que o Ferreira tirou do poema abaixo (que foi musicado também pelo Beto Trindade, em versão bem diferente). No audioblog tem uma gravação ao vivo desta canção com o Beijo aa Força. E outras canções, todas em estado brutal.

está escrito

tudo que eu digo está escrito
do umbigo um ao infinito
tudo que eu digo sai bonito
som maior, orgulho dom proscrito
sonhon que acaba sempre em grito
espaço que passa, tempo maldito
que nunca atende ao meu apito
e faz do que já é mais esquisito
do umbigo um ao infinito
tudo que eu digo está escrito

(Roberto Prado)

sexta-feira, junho 09, 2006

Deu caroço de porco na cabeça


Trecho de um texto meu publicado na
revista Idéias número 47. Começa assim. E por aí vai.

Os cínicos, os suicidas e o caroço de porco no cérebro.

Até bem pouco tempo a gente sofria com gosto, pois o Brasil era o país do futuro. Éramos maltratados, até mais do que hoje, mas a desgraceira tinha um significado maior, que justificava todo sacrifício: logo logo, assim que entrasse uma graninha, isso aqui ia virar um Canadá sem gelo, um EUA sem caretice, um Japão sem disciplina marcial, uma Europa sem mofo, uma Austrália sem tubarões.

Bastava à nossa população – composta por gente amiga, criativa, cordial, bem humorada e cheia de amor para dar – esperar, sentada, o advento do grande porvir, pois o destino, glorioso, já estava traçado. Movidos por essa certeza absoluta, defendíamos nosso modelo tropical de civilização com fé cega, digna de homens-bomba, dispostos a morrer antes de ver a pátria invadida pelos batalhões da razão, do bom senso e da inteligência.

(Roberto Prado)

sexta-feira, junho 02, 2006

mantra

amor & cabana
sonho boboca
vida bacana


(Roberto Prado)

comovendo junto

árvores sem movimento
dói o mormaço lá fora

eu moro por dentro
vivo de brisa
e demoro longe

não vejo a hora
quebro vento
e arrumo galho

o pouso da ave
vale quanto penso
não move uma palha

apenas o sopro do sentimento
comovo uma folha

(Roberto Prado)

sexta-feira, maio 26, 2006

Dois poemas de morte

é preciso que se morra
mas que se morra aos poucos
devagar
dentro do horário
com cautela
sem onerar o erário
é preciso morrer
na disciplina protocolar
parar de respirar
sem nenhum comentário
morrer
é muito particular

(Luiz Antônio Solda)


eu morro

as cordas do meu cavaquinho me disseram
que um pandeiro havia me deixado na mão
sinto saudades do corpo do meu violão
samba, bata em mim, não pare agora
sou um apito que ri
e uma cuíca que chora
nesta cozinha que hoje é um salão

(Marcos Prado e Edson de Vulcanis)

segunda-feira, maio 22, 2006


Os egípcios usavam o mesmo hieróglifo para epilepsia, possessão demoníaca e inspiração divina.



linha morta, rima posta

apuro indícios após o crime
navalha não, nenhum revólver
denuncio a mim, juro que vi-me
bem mal o enigma se resolve

volta ao local a alma mordoma
quem cometeu nada o detinha
digital zero, testemunha em coma
o fim da linha não foi a rima

(Roberto Prado)

terça-feira, maio 16, 2006

Dois poemas dos quase 47


Eu, aos 46, em foto da minha filha Natália, sem o auxílio luxuoso do quase onipresente óculos, companheiro desde os 25.

é de quem não pegar

tanta coisa Deus dá
tonto fico observando
desisti de pegar

se dou-me uma folga pra pensar
esse muito que cai do céu
eu tento, mas não sei abraçar

cada sonho em seu lugar
Deus dá demais
fico com o que deixo passar

algo, se me cabe, gruda sem pesar
sobras, descansem em paz
amigos, nada a separar

(Roberto Prado)

panorama da ponte que partiu


eu tinha lá minhas dúvidas
naquele tempo nada mais normal
passaram toneladas cúbicas
debaixo da ponte sobre o rio tao
guardo ainda uma ponta de súbitas
o tempo teima em não me fazer mal
idéias dóem, algumas ainda úmidas
vai, água suja, ardo mas digo tchau


(Roberto Prado)

quarta-feira, maio 10, 2006

dez mandamentos

delire na criança
não bula na flor
pense estrelas
não rele no bicho
gire o sol
não zombe do bem
sofra uma lua
não duvide do amor
acredite nos amigos

e não saia da sua

(Roberto Prado)


são nunca

dei duro e eros me abriu seu coração
não preciso nem de boca pra baco estender o garrafão
marte me deu uma mão
mamom perguntou quanto era e puxou o talão
um belo dia tive de dizer não
mas ainda amo essa humanidade marrom
fiel a eros, baco, marte e mamom

(Roberto Prado)

domingo, maio 07, 2006

suave mãe que nos dá a sombra

a suave mão do pai fecha as cortinas
não é fácil, pai e mãe, sonhar sozinho

na triste treva o coração ingrato
ao ledo engano pede belo pesadelo
ora pela luz de um astro estranho
e fere os olhos na noite medonha

o meu, pai e mãe, sonhar mesquinho
é não sentir mais o peso do descanso
e ainda pedir uma graça: sempre ver no escuro
a palavra, cantiga, beijo, boa noite

se o mais certo é dormir sem ficar cego
não é fácil, pai e mãe, sair do sonho

(Roberto Prado)

terça-feira, maio 02, 2006

Nossos comerciais, por favor.

O Juca Kfouri, no melhor programa esportivo do rádio, ao chamar o intervalo para os comerciais, diz: "está na hora do seu remedinho, dona Nadir". Pois, então, aqui vão quatro recomendações, algumas urgentes, outras urgentes urgentíssimas, de coisas bacanas que o bando anda colocando no mundo. Os links, em vermelho, facilitam o encontro.


Não temos nada a perder é o magnífico livro do Thadeu com o Sérgio Viralobos, que tem a vitalidade de um pedaço de floresta amazônica nascido em pleno deserto do Saara. Para conseguir, tem uma manha: entre no blog do polaco da barreirinha e encomende com o próprio.


Tem ainda a versão em prosa narrativa da peça teatral do Gógol, O Inspetor Geral, que eu fiz para a Editora FTD. É para ter em qualquer livraria do país. Se não tiver na sua, encha o saco da editora que aparece. Até eu, que escrevi e fui obrigado a ler umas quinhentas vezes, ainda acho engraçado.

E o Ultralyrics, do Marcos Prado, organizado pelo grande timoneiro Felipe Hirsch, apresentado por mim, com texto da contracapa do Mário Bortolotto, o emocionante depoimento histórico do Solda e, de quebra, um CD com canções do Beijo aa Força. Se você ainda não tem, implore à editora, a Travessa dos Editores, para ser mais exato.

E, para finalizar esse verdadeiro guia de bons companheiros para sobreviver à selva do existir, vá ao show do Carlos Careqa, em São Paulo. E o cara teve a manha de não cobrar nada.

Para não ficar sem nenhum poeminha, aqui vai a mais nova profecia do poeta, compositor, escritor, instrumentista e maestro Adriano Sátiro:

aquém do horizonte

eu nunca fui flor que se cheire
porém, eis-me aqui sentado no vaso
um bom lugar pra escrever poemas
e pra cagar,
talvez até seja o caso
depois da obra feita mãos ao pente
frente pro espelho
que mostra meu perfil
se lavar as mãos é ser indiferente
escovo alguns dentes e com outros sorrio


(Adriano Sátiro)

quarta-feira, abril 26, 2006

Três poemas com Beto Trindade


Beto Trindade e sua idéias luminosas.

O Beto Trindade é um poeta, ator, mímico, cantor e compositor que mantem-se a saudáveis 12 mil quilômetros da pátria amada, em Londres. Em junho, por exemplo, faz show em Paris. Mas, graças à incrível capacidade elástica de sua aura genial, ele muitas vezes consegue estar aqui e lá, simultaneamente. Para provar, veja essas parcerias dele com alguns autócnes.


1

sabe quanto custa um quilo de plástico?
pergunte ao burro sem rabo
quanto custa um quilo de plástico
ele vai gargalhar na sua cara
e você vai diminuir
diminuir
até sumir da minha frente
e nunca vai saber o preço do plástico
eu não vou te dizer o preço do plástico


(Beto Trindade e Thadeu Wojciechowski)


2

que bom se fosse ontem
e hoje começasse o amanhã
agora é tarde
estou mais sóbrio de manhã

oh infinito mundo
que não me dá espaço
móveis são as pedras
em que tropeço


(Beto Trindade, Marcos Prado e Márcio Cobaia Goedert)


3

amanheci
o que é que eu estou fazendo aqui
com essa gente que não para de rir
nem sabe o que sonha
um pobre rapaz do sul da tasmânia

sei onde ir
como chegar sem nunca sair
vou trabalhar numa idéia que tive
enquanto chorava limpando meu rifle

de manhã o sol raia na praia
como é lindo meu pedacinho de austrália

por isso, crianças
quando estiverem de castigo
taquem fogo na sala
e venham comigo
distribuir bala
pra esse bando de loucos
que vem fazer farra
na terra dos outros

(Beto Trindade e Roberto Prado)

segunda-feira, abril 24, 2006

falando com as paredes


a parede da direita
é amiga de infância
cheia de rabiscos, mas perfeita
sob a aparência branca

a parede esquerda me entorta
parece minha família
tem até uma porta
que abre e fecha de carícia

com a parede em frente
não posso guardar segredo
encaro o espelho enorme
apenas com algum medo

parede para as estrelas
o teto lembra jesus
lá uma lâmpada acende velas
na falta de outra luz

mas falando com as paredes
não pode faltar a da janela
por onde, olhando bem,
ainda saio por ela


(Roberto Prado)


sábado, abril 22, 2006

Para as velhas e boas novas aventuras

A volta triunfal

aqui vamos fazer nossa casinha
ali a fábrica não ficará muito longe

uma escola com vista pra montanha

e o templo sem imagem nenhuma

desta vez não vamos sujar o rio
nem inventar leis desalmadas
apenas novamente simples heróis
descobrindo mundos, trocando fraldas


(Roberto Prado)

quarta-feira, abril 19, 2006

O menos, o mais e outras matemágicas da vida


subtrações

que tal pegar tudo que temos
e deste todo fazer a grande falta
um salto que cai, uma queda que salta
essa soma assim sem mais nem menos?

por que não juntar o nosso nada
o eterno que move, o nunca que repousa
e fazer destas perdas somadas
o achado de alguma coisa?
(Roberto Prado)
vou te contar
o vento venta
deixe eu pensar
não sei de cabeça
é oito ou oitenta?

porém não esqueça
que antes e depois e no meio
- isso só contando
no sentido horário -
tem outros novos números
que esqueci num dicionário

o vento venta
o oito não é o começo
o oitenta não chega ao fim
é oito ou oitenta?
conte pra mim
(Roberto Prado)

sábado, abril 15, 2006

Através da cortina de fumaça: Trindade e Marcos Prado em inglês


Mais um da série de poemas em inglês da grande dupla Marcos Prado e Beto Trindade. Num post logo abaixo tem outro. Aos poucos vamos recuperando essas preciosidades. Com uma pequena ajuda dos amigos que guardam os originais, ainda teremos o livro completo. Quem sabe com o título Through the curtain of smoke? Que acham? Este poema foi musicado e gravado pelo Beijo aa força, numa fita K7 muito bacana, mas, infelizmente, difícil de se achar. No final, minha versão em português.


Ideas exploding


Since my house exploded

All the books I read

Don't make sense anymore


I have been hurt

Colours became rare

My roof is under the floor


Sartre is dead and Nietszche

That son of a bitch

Is nothing but a ghost


Never will see them again

Proust, Poe and Twain

As me are lost


My house has truly disappeared

And I keep safe only my beard


Shakespeare, Wilde and Whitman

How can I forgive them?

Why didn’t they survive?


Now their words are ashes

And my mind is burning

Who will blow it away?


Marx, Freud, Jung and Reich

Gregório, The Hell’s Mouth

All the things they spoke


Reached higher than the sky

You can see them fly

Through the curtain of smoke


(Beto Trindade e Marcos Prado)

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Explosão de idéias


Desde que minha casa explodiu
Todos os livros que li
Não dizem mais nada

Tenho sido tão pisoteado
Cores estão indo embora
Meu telhado está abaixo da privada

Sartre morreu e Nietszche
Aquele filho da puta
É apenas um espectro

Nunca mais verei as suas fuças
Proust, Poe e Twain
Como eu, perdidos no deserto

Minha casa sumiu de verdade
Só salvei minha barbaridade

Shakespeare, Wilde e Whitman
Como perdoá-los?
Por que não livraram a cara?

Suas palavras agora são cinzas
Minha mente está pegando fogo
Quem poderá apagá-la?

Marx, Freud, Jung e Reich
Gregório, o Boca do Inferno
Suas palavras caíram em desgraça

Mas subiram acima do céu
E você ainda pode vê-las voar
Através da cortina de fumaça


(Beto Trindade e Marcos Prado - versão de Roberto Prado)

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segunda-feira, abril 10, 2006

Três poemas do livro novo


Hoje eu vou deixar vocês com alguns poemas do Apenas mais um coração fazendo barulho, um livro que estou tramando e deve estourar logo por aí. Não façam cerimônia. Eles são de casa.



uma letra


puxe um silêncio do estoque

e deixe a letra bater

chame um batuque exato

para o silêncio dançar

puxe

chame

dance

e deixe

evoque que vem

no espírito da letra

todas as letras

que o silêncio tem


(Roberto Prado)


descascando cebola


dentro do dentro

no meio do miolo

nas profundas do centro

do núcleo de tudo

é ali, no fundo, no fundo,

que habita você

minha alma doutro mundo


(Roberto Prado)



vim, vi e inventei


Nem sempre há o em frente.

O nunca, de hoje em diante,

são passos pra todos os lados

em direção ao mesmo diferente.


Pedaços de mau caminho,

esfinge que nem me vê:

a partir daqui só siga quem sabe

voltar sozinho.


(Roberto Prado)


quinta-feira, abril 06, 2006

Tudo o que eu digo está escrito

Hoje, nessa nossa conversa com versos, eu pretendia falar de três assuntos. Mas, como já achei tudo escrito, só tive o trabalho de transcrever. Divirtam-se.


Primeiro assunto:


sacaneando majestosamente

o brasil está pra lá de lindo
aqui há criação em estufa de cínico
há quem jante no penico
há quem leve a lata d'água na cabeça
pra jogá-la fora da bacia

(Marcos Prado e Márcio Cobaia Goedert)



Assunto dois:


a mulher nua e os três patéticos

debaixo daquela toalha
tem uma mulher nua
no prédio em frente
três patéticos
aquela mulher é uma doente
e os psicopatas do outro lado da rua

agora que vimos e é feia
um rifle com mira telescópica
explodir sua cabeça e não sei

a mulher nua está na janela
chupando um vaso
e os três assistindo televisão

(Marcos Prado, Márcio Cobaia Goedert, Edson de Vulcanis)



E lá vai o três:


primata sangue frio

fui no passeio público tirar meu retrato
os sagüis me deram uma banana
os mandris me jogaram merda na cara

macacos me mordam!

(Marcos Prado e Márcio Cobaia Goedert)


sábado, abril 01, 2006

Marcos Prado e Trindade no inglês da rainha


Pouca gente sabe que o Marcos Prado deixou poemas em inglês, escritos em parceria com o Beto Trindade. Hoje, remexendo o ontem de uma gaveta, achei este sobrevivente da safra seleta das aventuras da dupla na língua de Yeats. Então, divido com vocês a preciosidade. Os outros da série, só por obra e graça do Santíssimo Trindade: está nas mãos dele. E, para quem, como eu, não entende picas de inglês, fiz a versão que segue logo abaixo do original.


An old love


I don’t want to know your age
Cause we speak the same language

I raise your dress up to your neck
You pull down my pants and find the Jack

It doesn’t matter you are old

I can smooth out all your folds

Your groans are just like a wolf’s howl
And when you come, that’s the carnival

(Beto Trindade e Marcos Prado)

Um amor velho

Não quero nem saber quantos anos você soma
Agora que nossas línguas falam o mesmo idioma

Eu ergo seu vestido até o gorgomilo, de surpresa
Você abaixa minhas calças e topa com o pé-de-mesa

Não dou a mínima que você seja uma velha
Posso até alisar suas rugas, se me der na telha

Seus gemidos são o uivo do lobo mau
E quando você goza, vovó, é o carnaval

(Beto Trindade e Marcos Prado, tradução de Roberto Prado)