terça-feira, fevereiro 15, 2011

Zen e a arte de fazer televisão

A roda do destino gira, embaralha, mistura e, regendo esta misteriosa engrenagem, acaba dispondo pessoas, fatos e coisas com uma espantosa perfeição. Agora, por exemplo, o mecanismo acertou em cheio ao trazer o Paulo Vítola ao comando da Rádio e Televisão Educativa do Paraná - RTVE para os íntimos. Pois era justamente a arte zen do Paulo Vítola que a emissora estava precisando. Paciência, precisão e talento na dose certa para o grau de dificuldade da missão. E que Santa Clara nos clareie!



Santa Clara, Padroeira da Televisão


Santa Clara, padroeira da televisão
Que o menino de olho esperto saiba ver tudo
Entender certo o sinal certo se perto do encoberto
Falar certo desse perto e do distante porto aberto
Mas calar
Saber lançar-se num claro instante


Santa Clara, padroeira da televisão
Que a televisão não seja o inferno, interno ermo
Um ver no excesso o eterno quase nada (quase nada)
Que a televisão não seja sempre vista
Como a montra condenada, a fenestra sinistra
Mas tomada pelo que ela é
De poesia


Quando a tarde cai onde o meu pai
Me fez e me criou
Ninguém vai saber que cor me dói
E foi e aqui ficou
Santa Clara


Saber calar, saber conduzir a oração
Possa o vídeo ser a cobra de outro éden
Porque a queda é uma conquista
E as miríades de imagens suicídio
Possa o vídeo ser o lago onde narciso
Seja um deus que saberá também
Ressuscitar


Possa o mundo ser como aquela ialorixá
A ialorixá que reconhece o orixá no anúncio
Puxa o canto pra o orixá que vê no anúncio
No caubói, no samurai, no moço nu, na moça nua
No animal, na cor, na pedra, vê na lua, vê na lua
Tantos níveis de sinais que lê
E segue inteira


Lua clara, trilha, sina
Brilha, ensina-me a te ver
Lua, lua, continua em mim
Luar, no ar, na tv
São Francisco


(Caetano Veloso)