sábado, abril 15, 2006

Através da cortina de fumaça: Trindade e Marcos Prado em inglês


Mais um da série de poemas em inglês da grande dupla Marcos Prado e Beto Trindade. Num post logo abaixo tem outro. Aos poucos vamos recuperando essas preciosidades. Com uma pequena ajuda dos amigos que guardam os originais, ainda teremos o livro completo. Quem sabe com o título Through the curtain of smoke? Que acham? Este poema foi musicado e gravado pelo Beijo aa força, numa fita K7 muito bacana, mas, infelizmente, difícil de se achar. No final, minha versão em português.


Ideas exploding


Since my house exploded

All the books I read

Don't make sense anymore


I have been hurt

Colours became rare

My roof is under the floor


Sartre is dead and Nietszche

That son of a bitch

Is nothing but a ghost


Never will see them again

Proust, Poe and Twain

As me are lost


My house has truly disappeared

And I keep safe only my beard


Shakespeare, Wilde and Whitman

How can I forgive them?

Why didn’t they survive?


Now their words are ashes

And my mind is burning

Who will blow it away?


Marx, Freud, Jung and Reich

Gregório, The Hell’s Mouth

All the things they spoke


Reached higher than the sky

You can see them fly

Through the curtain of smoke


(Beto Trindade e Marcos Prado)

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Explosão de idéias


Desde que minha casa explodiu
Todos os livros que li
Não dizem mais nada

Tenho sido tão pisoteado
Cores estão indo embora
Meu telhado está abaixo da privada

Sartre morreu e Nietszche
Aquele filho da puta
É apenas um espectro

Nunca mais verei as suas fuças
Proust, Poe e Twain
Como eu, perdidos no deserto

Minha casa sumiu de verdade
Só salvei minha barbaridade

Shakespeare, Wilde e Whitman
Como perdoá-los?
Por que não livraram a cara?

Suas palavras agora são cinzas
Minha mente está pegando fogo
Quem poderá apagá-la?

Marx, Freud, Jung e Reich
Gregório, o Boca do Inferno
Suas palavras caíram em desgraça

Mas subiram acima do céu
E você ainda pode vê-las voar
Através da cortina de fumaça


(Beto Trindade e Marcos Prado - versão de Roberto Prado)

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9 comentários:

Fraga disse...

Roberto, meu caro

Poesia a quatro mãos
como se fossem duas
num único braço
que pertence a um trio
É de impressionar até
não-impressionáveis
e quem requenta calafrio
Todos meus tantos poros
são insu e deficientes
pra tamanho arrepio!

Aleluia, poetas,
e não pela data.

roberto prado disse...

Fraga, confesso que a mim também arrepia. E cantado (em inglês)ficou muito bacana. Espero que os bravos Rapazes da Banda relancem a gravação dessa música, que foi apresentada em inúmeros shows, mas cujo último registro gravado data de 1990, salvo pequena margem de engano.
E é mais bacana ainda que o poema tenha gerado outro, o seu, colocando mais uma voz nessa conversa com versos.
Aleluia e salve salve, Fraga.

Solda disse...

Fraga, capriche. Você está falando de dois cunhados meus! O Marcos e o Roberto Prado. Oiés?

roberto prado disse...

Esse é o Solda, o poeta do traço, o projetista de sonoridades e o cunhado do coração. Solda, não se preocupe, com o Fraga as coisas saem sempre relaxadamente no capricho.

MICHELLE DE LAS MERCEDES disse...

BRAVO POETA .
HERMOSO !!


BESOS

MICHELLE

Jorge Ferreira disse...

belo blog, bons poemas...vim, vi e gostei...
um abraco do
jf

Anônimo disse...

Becão, seu malaco. Suas traduções são duca, pelo significado e pelo fonema. Sugiro que você poste o poema "Depois das Cinco", que você versou do africano, pelos fonemas. É de tirar o fôlego buana.
Um grande abraço.
Ferreira.

Anônimo disse...

Mais um apelo ilustrativo:
O poema Depois das Cinco foi feito a partir da música Ramasela de Frank leepa e sua banda Sankomota.
Essa música ganhou o mundo, mas quando fui saber o que o cara andava produzindo, descobri que ele morreu em 2003 aos cinquentinha. Sacanagem, pois Frank Leepa era um grande artista e a maioria das informações sobre ele na internet são sobre sua morte. Cambada de de necrófilos. Por essas o Bob Marley continua sendo o único superstar negro do terceiro mundo. Pensando bem, o único superstar do terceiro mundo.
Valeu Beco.
Abraço pra familia.
Ferreira

roberto prado disse...

Boa, Ferreirão. Vou providenciar essa parada. E vai ficar ainda melhor com o original ao lado. Você tem essa preciosidade? E uma foto do Frank Leepa, rola? Diga lá. Do contrário, vai só a versão brasileira mesmo. Essa canção ficou duca no arranjo do Beijo aa Força (para quem não sabe, está no disco Música ligeira nos países baixos), uma mistura de manha brasileira e batuque sul africano. Grande abraço, Ferreira e obrigado pela sugestão.